Momento de reflexão

Momento de reflexão

Momento de reflexão

Este é o momento em que será importante buscarmos a serenidade. A serenidade que habita em cada um de nós, dentro de nossos corações.

Estou aqui sábado, 21 de março de 2020, sentada em frente ao meu laptop buscando inspiração para escrever para vocês. Quando este artigo for publicado poderemos estar no meio do olho do furacão e, se assim for o desejo da Divindade Superior, será importante para nos fortalecer mutuamente. Mas como, se poderemos estar distantes daqueles que mais amamos? Percebo que este poderá ser o momento em que será importante buscarmos a serenidade. Serenidade essa que habita em cada um de nós; para isso precisamos dar espaço.

Não existirá fórmula mágica para sairmos desse lugar ou dessa situação. Cada um de nós irá precisar buscar a forma dentro de si mesmo acolhendo com um sim. Fazermos a nossa parte com resignação, resiliência, autocompaixão, autoempatia e autorresponsabilidade será o único caminho a seguir. A serenidade mora em nossos corações, em algum lugar que ainda não descobrimos porque temos o dia a dia na correria, na competição, no poder, na ganância acabamos por nos sucumbir pelo nosso orgulho.

Temos sido chamados diversas vezes. A natureza vem dando seus sinais há muitos e muitos anos, mas não demos importância ou pensamos: depois eu faço, pois agora tenho algo mais urgente para ver. Bem, de forma compulsória estamos aparentemente parados. Digo aparentemente porque se pudermos dar um espaço, poderemos perceber que temos muito a fazer olhando para dentro de nós.

Vou compartilhar aqui uma história de um livro que tenho há 40 anos, chamado Relatos de Um Peregrino, de autor desconhecido. Comprei esse livro na época em que morava em Teresópolis com uma família em que um dos integrantes buscava ser monge hindu.

Vou convidá-los para ler sem julgamento, sem preconceito, sem rótulos e sim de coração aberto e talvez possa trazer um significado maior do que pode imaginar.

“O Peregrino é atacado por salteadores.

 

Devido, sem dúvida, aos pecados de minha alma endurecida ou para o progresso de minha vida espiritual, as tentações apareceram no fim do verão. Eis como: uma noite ao desembocar numa estrada principal encontrei dois homens com aspecto de soldados; pediram-me dinheiro. Quando lhes disse que não tinha um centavo não me acreditaram e gritaram brutalmente:

 

– Mentes! Os peregrinos recolhem muito dinheiro!

 

Um deles acrescentou:

 

– Inútil falar com ele mais tempo!

 

E deu um golpe na cabeça com seu porrete; caí desfalecido!

 

Não sei quanto tempo permaneci assim, mas quando voltei a mim vi que estava na floresta perto da estrada; estava todo rasgado e meu bornal havia desaparecido; só restavam os pedaços de barbante que o seguravam. Graças a Deus eles não tinham levado meu passaporte que guardava no velho gorro para poder mostrá-lo rapidamente quando fosse necessário. Levantando-me chorei amargamente não tanto por causa da dor, mas pelos meus livros, minha Bíblia e minha Filocalia (livro clássico da literatura católica ortodoxa, como uma coletânea de textos de autores diversos sobre a Oração do Coração) que estavam no bornal roubado.

 

Durante todo o dia e toda a noite afligi-me e chorei. Onde está minha Bíblia que eu lia desde que era pequeno e que estava sempre comigo? Onde está a minha Filocalia da qual eu tirava ensinamentos e consolo? Desgraçado perdi o único tesouro de minha vida do qual não tinha podido ainda fartar-me.

 

Teria sido melhor morrer do que viver assim sem alimento espiritual. Jamais poderia readquiri-los.

 

Durante dois dias mal pude andar tal minha aflição; no terceiro dia, no fim de minhas formas, caí perto de uma moita e adormeci. Eis que em sonho me vi no retiro, na cela de meu estaroste (chefe de comunidade, Rússia), chorando meu sofrimento. Depois de me ter consolado, o estaroste me disse:

 

– Que isto te sirva como lição de desapego das coisas terrestres para ir mais livremente para o céu. Esta prova te foi enviada para que não caias na volúpia espiritual. Deus quer que o cristão renuncie à sua vontade própria e a todo o apego a ela, a fim de se entregar inteiramente à vontade divina. Tudo o que Ele faz é para o bem e a salvação do homem. Ele quer que todos sejam salvos. Retoma, pois, coragem e crê que com a tentação, o Senhor prepara também um final feliz. Em breve receberá um consolo maior do que teu pesar.”

Gostaria de convidá-lo para refletir e deixar registrado em algum lugar as respostas das perguntas a seguir:

  • O que posso tirar dessa história que se conecta com o que estamos vivendo?
  • Será que essa pausa não é importante para olharmos para dentro de nós, pois já que não tínhamos tempo, fomos obrigados para tal?
  • Como eu desejo estar ao final desta crise?
  • O que poderei abrir mão que de agora em diante terá menos valor?
  • Como gostaria que o mundo fosse e qual seria minha contribuição pessoal?
  • Como irei me relacionar comigo e com os outros depois dessa crise?
  • O que poderei mudar nos meus pensamentos, comportamentos e atitudes para tornar este mundo um lugar melhor?

Deixo aqui com você o Anjo da Serenidade, de Sônia Café:

Estar sereno é deixar-se fluir com as circunstâncias de cada momento, conhecendo e saboreando cada instante e sabendo que nada é permanente. Essa serenidade vem da Alma e é dentro de nós o único centro permanente que nos nutre durante o processo de compreender que os bons e maus momentos da vida passam a fazer parte do nosso crescimento espiritual.

Talvez ainda seja difícil compreender, mas tenho certeza de que um dia irá entender, que tudo na vida está certo e nada acontece por acaso.

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