Como ser eu mesmo, se estou sempre me moldando?

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Ao longo de nossas vidas passamos o tempo todo na busca de ser autêntico, porém, ao mesmo tempo, somos bombardeados pelos pais, professores, cônjuges, amigos, colegas, gestores, subordinados a nos adaptarmos porque só assim poderemos ser bem vistos e termos sucesso! Quando não somos reconhecidos e bem vistos nos condenamos e nos colocamos naquele lugar de que não somos tão bom assim. Também em muitas ocasiões independentemente dos julgamentos, avaliações, críticas e opiniões externas, temos uma régua tão alta que assumimos que não somos tão bons.

Você já ouviu alguém te dizer: Você está tão parecido com fulano. Em algumas ocasiões levamos isso como elogio, porque admiramos essa pessoa, o que não nos damos conta é que estamos nos moldando tanto àquela pessoa e sem perceber até a fisiologia dela, que podemos assumir um corte de cabelo, o modo de se vestir, a maneira de se comportar, as atitudes e etc., isso acontece porque bloqueamos em nosso corpo quando tentamos entender os outros e é natural para que nós possamos nos encaixar no mundo.  Fazemos isso de forma energética, criando vias bioquímicas que também criam a forma como o corpo se apresenta, os padrões emocionais, como escolhemos, os caminhos que utilizamos e até mesmo os julgamentos, opiniões, modelos e padrões do outro para buscar entender.

Uma frase que me faz refletir bastante a esse respeito é da Ermance Dufaux, psicografado por Wanderley Oliveira, no livro Reforma Íntima Sem Martírio, “Não queremos ser mais quem fomos, mas ainda não somos quem queremos ser. Então que somos?”

Estamos sempre preocupados com o que os outros vão pensar a nosso respeito, com isso acabamos por não sermos nós mesmos, porque aprendemos a dizer e fazer o que os outros acham que devemos ou desejam que façamos ou que seja mais apropriado em determinada situação, que de certa forma estamos mentindo, mesmo não sendo intencionalmente. Uma das crenças que aprendemos e carregamos ao longo da vida não podemos ser verdadeiramente nós mesmos e ainda assim vencer na vida.

Uma das coisas que mais temos medo é enfrentar as consequências de sermos autênticos, porque estamos sempre procurando o reconhecimento, a aceitação, a concordância e o sucesso. Ser rejeitado, julgado, criticado e se sentir fracassado está fora de cogitação e daí muitas vezes ficamos quietos e “tentamos” aceitar, porque estaremos conforme as regras dos grupos, da sociedade, etc.

Para sermos fieis a nós mesmos é preciso de coragem, compromisso e percepção, é preciso olhar para dentro da gente e ver a verdade lá dentro e que muitas vezes nos assusta porque traz à tona a nossa vulnerabilidade e ela nos dá medo. Porque a vulnerabilidade é lidar com o risco à exposição e essa exposição pode nos trazer vergonha e lidar com a vergonha é visto como fracasso e fracasso está fora da nossa lista.

Às vezes as pessoas dizem serem elas mesmas quando falam na cara do outro o que pensam ou o que sentem, sem nenhum cuidado, que têm clareza sobre o que querem da vida, que precisam ser únicos e criativos, que precisam ter algo especial, serem corajosos sem se importarem com que os outros pensam delas, que correm riscos, que podem viver sozinhas, esquecendo que o ser humano é gregário, que precisa ser frio e que tenha superado situações drásticas. Algumas coisas da lista acima têm relação com ser eu mesmo, mas ser eu mesmo é muito mais do que isso.

Ser eu mesmo, afeta diretamente o trabalho, os relacionamentos e a jornada da vida. Ser eu mesmo é entender, possuir, reconhecer, apreciar e expressar tudo que eu sou. É incluir tudo dentro de si, o que é bom e o que é ruim ou a luz e a escuridão. Ser eu mesmo, é um desafio diário de evolução e crescimento do ser humano. É ser honesto sobre si mesmo e sobre o outro. Ser eu mesmo, é estar vulnerável, atento, aberto, curioso e, acima de tudo, honesto.

Ser eu mesmo, permite que nós possamos sentir menos dor e sofrimento e daí estar livre para falar, fazer, ser, vivenciar e buscar o que realmente desejamos da vida. Ser eu mesmo, traz maior confiança de si mesmo, estar liberto das amarras que aprisionam como as preocupações, as desculpas, as opiniões alheias, a manipulação, a fuga, melhora a nossa saúde e bem-estar, temos mais energia, reduz o estresse, expandimos nossa conexão conosco e com o outro, plenitude, nos aceitamos mais, nos apreciamos mais e conquistamos mais amor próprio e a vida pode se tornar mais divertida.

Ser eu mesmo requer o autoconhecimento, quem sou eu, quais são minhas qualidades, talentos e características, valores, necessidades, desejos, sonhos, realizações e contribuições. Enfrentar o medo do desconhecido, porque não sabemos que pessoa irá vir à tona e na maioria das vezes olhar para alguém que não queremos ver e não sabemos quem é, pode ser pior do que a que já existe e todos conhecem, que é aceito, admirado e reconhecido. Aprender a se expressar de forma genuína que retrate quem eu sou verdadeiramente. Ter a coragem de olhar o desconhecido e ver que ele pode ser um grande aliado nesse processo. Olhar o medo nos traz uma coragem jamais percebida. E aprender a se amar e a celebrar pela jornada transcorrida, uma jornada que é diária e com conquistas diárias, sendo a melhor versão de si mesmo a cada dia.

Nós não queremos copiar ninguém, nós queremos entender, porém quando tentamos entender, eliminamos nossa capacidade de perceber quem somos verdadeiramente. Quanto mais consciência tivermos a nosso próprio respeito mais pessoas tentaram ser iguais a você.

E ser eu mesmo, traz um paradoxo, eu a busco a ao mesmo tempo eu a temo.

Ser eu mesmo, requer mais do que fazer, requer ser.

Ser eu mesmo, traz a leveza que estamos sempre buscando no outro, quando na verdade ela está dentro da gente.

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